O yoga inclusivo é uma disciplina de autoconhecimento como todo yoga é, mas se refere ao movimento e as habilidade desenvolvidas com o objetivo de incluir pessoas de todas as idades, com corpos de todas as formas, de todas as classes sociais, origens, etnias e raças. Um serviço e tanto! A parte física de alguns aspectos da inclusçao é desafiadora, mas há muito mais. Para incluir mais corpos e pessoas com deficiência/PCD nas práticas de yoga, o professor de yoga deve conhecer os asanas e estratégias de suporte e variações, além da anatomia, fisiologia e biomecânica do corpo. Os corpos de raças diferentes não devem ser olhados sem percepção de cor e por aí vai. Todos os benefícios do yoga deverão ser democraticamente espalhados e tem origem nas raízes ancestrais e sul asiáticas do yoga. A raíz da árvore é a origem da vida e fertilidade, deve ser honrada pelo estudo de escrituras, práticas de mantras, uso da língua sânscrita, atribuição da origem das técnicas, etc. Filosoficamente o yoga também suporta a não violência, a inclusão e a libertação de todos os seres de forma “equal”.
Estudar técnicas de adaptação de posturas, ciências contemporâneas e quaisquer complementariedades para disseminar a prática de forma mais inclusiva e representativa não distoa da origem do hatha yoga, amplificam e as tornam mais unânimes e acessíveis.
As práticas de posturas de yoga, meditação e pranayama podem ser feitas parcialmente ou integralmente na cadeira, na cama, no solo e na parede. Para tornar uma postura mais acessível existem algumas estratégias, como:
- Usar yoga props (acessórios);
- Replicar as ações chaves da postura em outra forma;
- Mudar o plano de movimento/manifestação da postura;
- Alternar as articulações que consistem na base da postura;
- Dissecar a postura; ou seja, fazer uma parte do asana.
Para facilitar uma prática de yoga com asanas mais inclusivos e atrativa para vários corpos a comunicação assertiva e não performática é importante, para tal, algumas estratégias são:
- Não falar expressões como “asana final”, “postura completa”;
- Fazer convites e sugestões sobre como o praticante se movimenta e quais asanas executar;
- Apresentar variações com o mesmo entusiasmo do que as formas que aprendemos como originais;
- Evitar a visão e o termo “adaptação” e substituir por “variação”; eu costumo dizer que a primeira pode remeter à algo que limita e “variedade” nos remete a cardápios com muitas opções de comidas gostosas;
- Evitar palavras que classifiquem praticantes e práticas por níveis; podemos usar: “desafiador” ao invés de “avançado”, “fundamental” ao invés de “iniciante”, “suave” ao invés de “nível 1” e por aí vai.
O yoga vigoroso – uma boa tradução para hatha yoga – aborda asanas sim, mas o grande lance é que yoga e asana não são sinônimos, especialmente se o foco for na performance da postura e não no processo de construção dela, em suas sensações e auto estudo do praticante. Ser excludente com quem procura o yoga pelas posturas ou se desafia por meio delas também não seria bacana. Afinal, estudar pelo corpo é a alma do hatha yoga, da teoria somática e psicossomática. O caminho ideal é mesclar o físico com as experiências que o físico proporciona ou o corporal, mental, filosófico e místico que abranjam a ancestralidade do yoga.
Ensinar e valorizar o corpo não é um equívoco, afinal ele conta a história de todo o ser. Incluir todos os corpos e pessoas na prática de yoga não é negar a alquimia dos asanas, mas tornar a prática física adequada para todos os corpos. Afinal, para praticar yoga basta respirar. Poderíamos dizer também que os asanas são porta de entrada para muitos praticantes, mas movimento corporal associado ao auto estudo é muito mais que isso.
Para quem dissemina o yoga ou facilita práticas, abordar exclusivamente asanas não é o ideal, incluir um pouco de filosofia ou mantras na prática e no ensino, para honrar as origens do yoga é fundamental. Ou seja, formações de professores que abrangem o orientalismo e as posturas são fundamentais.
Existem outros enormes desafios na inclusão, inclusive no meio do yoga, como criar um espaço seguro para o público diverso, produzir conteúdo e lecionar práticas com uma linguagem adequada que hon e a individualidade de cada indivíduo, oferecer serviços, bolsas e reflexão sobre justiça social, assim como promover consciência coletiva e de civilidade.
Os aprendizados deverão ser constantes, mas é possível construir a partir da reflexão e do conhecimento uma comunidade de yoga contemporânea acolhedora, mais representativa e inclusiva honrando as tradições e origens dessa tecnologia ancestral maravilhosa, a disciplina YOGA.


